Vikings acusa Junta de Freguesia de Benfica de “intimidação, perseguição e assédio”

  •  
  •  
  •  

O Vikings Sports Club acusou, esta sexta-feira, a Junta de Freguesia de Benfica de ser alvo de “um processo de intimidação, perseguição e assédio”

Em comunicado, o clube lisboeta, que viu negado o acesso à piscina do Complexo Desportivo da Boavista, refere que “não é conivente com clientelismos e favorecimentos, e também não aceita ser discriminado, quer do ponto de vista institucional, quer no exercício das suas atividades sociais e desportivas”, acrescentando que “combate ativamente qualquer forma de discriminação, racismo e violência no desporto”.

Comunicado na íntegra da Direção do Vikings Sports Club:

1.º O Vikings Sports Club (VKGS), fundado a 4 de Dezembro de 2018, é uma associação sem fins lucrativos e um clube desportivo inclusivo, que tem como principal missão a integração de crianças e jovens, especialmente as mais carenciadas, no sistema desportivo federado (natação de competição).

2.º O VKGS é uma associação cujos membros são, na sua maioria, residentes ou naturais da Freguesia de Benfica.

3.º O VKGS tem desenvolvido a sua atividade desportiva por intermédio do arrendamento de diversos equipamentos desportivos públicos e privados. O seu projeto de formação desportiva está localizado na piscina do Complexo Desportivo do Bairro da Boavista (um bairro BIP-ZIP).

4.º No dia 26 de abril de 2021, a Junta de Freguesia de Benfica (JFB) vedou ao VKGS o acesso à piscina do Complexo Desportivo da Boavista.

5.º A decisão, fundada em falsas alegações de incumprimento reiterado do Plano de Contingência daquele equipamento desportivo, foi o culminar de um processo de intimidação, perseguição e assédio que teve como alvo o VKGS, os seus atletas e treinadores.

6.º Essa perseguição ficou ainda mais evidente e óbvia no dia 28 de abril de 2021, quando o Sr. Presidente da JFB – Dr. Ricardo Marques –, em Assembleia de Freguesia, afirmou ter na sua posse registos fotográficos, vídeo e áudio que fundamentavam a sua decisão.

7.º Estes registos, além de ilícitos (o VKGS em momento algum autorizou a captação de imagens e sons dos seus atletas e treinadores), são a prova, mais que cabal, de que o VKGS foi alvo de um processo de perseguição inaceitável.

8.º É caso para perguntar se a JFB, enquanto entidade gestora da Piscina do Complexo Desportivo do Bairro da Boavista, guarda relatórios diários, registos fotográficos, de vídeo e áudio de todas as restantes entidades e utentes que usufruem das instalações do Complexo Desportivo do Bairro da Boavista.

9.º Perante as evidências, o Sr. Presidente da JFB decidiu emendar a mão e corrigir as suas afirmações, dizendo que afinal os registos que tem do VKGS são imagens de videovigilância autorizada, direcionada para o cais da piscina.

10.º Fica claro que o Sr. Presidente da JFB mentiu, já que a Piscina do Bairro da Boavista não tem sistema de videovigilância operacional.

11.º O VKGS, os seus treinadores e atletas, sempre cumpriram as normas da DGS relativas ao exercício da atividade desportiva nas piscinas, bem como o plano de contingência elaborado pela JFB.

12.º A pandemia foi o pretexto possível para expulsar o VKGS da piscina do Complexo Desportivo da Boavista, uma vez que a parceria com o clube parece não agradar aos funcionários da JFB, nomeadamente ao Coordenador e ao Diretor Desportivo daquele equipamento.

13.º O VKGS não é conivente com clientelismos e favorecimentos, e também não aceita ser discriminado, quer do ponto de vista institucional, quer no exercício das suas atividades sociais e desportivas.

14.º O VKGS considera que os graves acontecimentos ocorridos na Piscina do Complexo Desportivo da Boavista, denunciados e discutidos em Assembleia de Freguesia de dia 28 de abril, exigem uma resposta clara e inequívoca da JFB, e uma investigação séria das ilegalidades cometidas pelos seus funcionários, para que nunca mais se repita este clima de intimidação, perseguição e assédio.

15.º Infelizmente, parece não ser esse o entendimento do Presidente da JFB e do Sr. Vogal para o Desporto – Dr. Frederico Sequeira –, que, ao invés de repudiarem o comportamento persecutório e criminalmente condenável dos funcionários públicos que coordenam, dirigem e trabalham na piscina do Complexo Desportivo da Boavista, como sugerido pelo VKGS, preferiram manter a sua decisão de vedar o acesso a este equipamento, prejudicando, principalmente, as crianças que beneficiavam deste projeto social.

16.º Fique claro: a existência do VKGS não depende da existência deste projeto desportivo e social na Piscina do Complexo Desportivo da Boavista.

17.º Porém, o VKGS considera este projeto social por si criado, não apenas um contributo para a promoção da igualdade de oportunidades, mas uma obrigação social de garantir o direito à cultura e ao desporto, constitucionalmente protegido.

18.º Contava o VKGS que o seu projeto de inclusão social através do desporto fosse recebido com entusiasmo pela JFB, tendo em conta que incumbe ao Estado, em colaboração, nomeadamente, com as associações desportivas locais, garantir o pleno acesso ao desporto e combater a violência no desporto.

19.º É lastimável que quem tem a obrigação constitucional de o fazer, tenha optado por proteger quem discrimina, persegue e assedia.

20.º O VKGS elaborou e idealizou um projeto de natação adaptada, especialmente dirigido para crianças com deficiência auditiva, cujo objetivo é integrar gratuitamente crianças do Agrupamento de Escolas da Quinta de Marrocos. Tendo sido reconhecida a importância estratégica e social desta intervenção pela Federação Portuguesa de Natação, mas, infelizmente, não foi possível a executar o projeto por falta de resposta da JFB, não tendo a mesma cedido uma pista na piscina do Complexo Desportivo da Boavista para o executar.

21.º O VKGS combate ativamente qualquer forma de discriminação, racismo e violência no desporto.

22.º Neste sentido, o VKGS está a construir o seu projeto de formação desportiva na piscina do Complexo Desportivo da Boavista, através da formação de uma jovem equipa multicultural, na qual não há qualquer forma de exclusão (étnica, género, orientação sexual, incapacidade física ou mental).

23.º O VKGS irá utilizar todos os meios legais ao seu dispor para reverter esta triste situação.

24.º Lamentamos que sejam as crianças, principalmente as mais excluídas e carenciadas, a sofrer com a decisão política do Sr. Presidente da JFB.

25.º O VKGS considera incompreensível a decisão política do Sr. Presidente da JFB, considerando a relevância dos seus projetos, que representam aquilo que o Sr. Presidente da JFB considera a essência de Benfica: “Nunca desistimos! Fazemos mais! Fazemos melhor.”

Mais de 10 mil leitores não dispensam o Chlorus.
Fazer jornalismo de Natação tem um custo e por isso
precisamos de si para continuar a trabalhar e fazer melhor.
Torne-se nosso assinante por apenas 10€ por ano e
tenha acesso a todos os conteúdos Premium.



Comentários