V de Vitória…

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O título do polo aquático masculino ficou em Guimarães e tal aconteceu pela segunda vez consecutiva, mas decidido mesmo à tangente, com o Vitória a cair subitamente na fase final, quando perdeu em casa com o Fluvial Portuense por 11-13, mas a conseguir, contudo, a reviravolta em Lordelo do Ouro por mais um golo (venceu por 11-8). A partir daí, era confirmar mais um triunfo com o Aquático de Paços de Ferreira, o que veio a acontecer ontem com relativa naturalidade.

A equipa de Guimarães foi gizada há dois/três anos quando a sua secção mudou o paradigma de funcionamento, apostando na conquista de títulos. A estratégia, que passou pela contratação de alguns valores nacionais e até jogadores de países bem mais evoluídos, resultou com grande impacto. Para alguns, isso inflacionou claramente a modalidade, para outros, tratou-se apenas de alta-competição, uma conotação raramente colada ao “modesto” polo aquático português, pouco habituado a estas velocidades.

Treinada por um português [Vítor Macedo], o Vitória seguiu a política da época transata, realçando a mais-valia dos seus investimentos. Contratou Carlos Gomes e Rui Ramos (vieram dos campeonatos do país vizinho) e aprimorou mais outro dos seus reforços, o esquerdino Dumitru. Os três, mais ou menos coordenados, deram consistência ao conjunto, equilibrando nos jogos decisivos e decidindo em conformidade. Falta falar do seu grande jogador que foi Pedro Sousa. O avançado continua a fazer de tudo com a bola e tem um tempo de decisão mais apurado que os adversários e isso nota-se claramente nos jogos decisivos. E se a defesa contrária se adapta, algum dos outros vai ficar livre, o que veio a acontecer. Falando assim, até parece fácil. Mas não foi. O Fluvial Portuense lançou novos elementos, elaborou processos diferentes e (aparentemente) com menos meios fez… mais. Tal não chegou para vencer, mas merecerá também os elogios numa época onde revelou mais ousadia e apostas na formação.

No rescaldo final, parece-nos que o polo aquático em Portugal teve bons momentos. As transmissões via plataformas informáticas cativaram espectadores, motivaram os mais jovens e foram uma aposta claramente ganha.

Realce para os títulos de duas equipas conotadas com o universo futebolístico – o Benfica, em femininos, e o Vitória de Guimarães, em masculinos –, mas os designados clubes aquáticos mostram estar capazes de os defrontar – falamos do Fluvial Portuense e do regressado Sport Algés e Dafundo (na nossa opinião a equipa revelação), sendo interessante perceber-se o futuro da modalidade em diferentes prismas de processos (investimentos, formação, natação de competição, tradição, etc).

Bons desafios para reflexão…

Créditos da foto: Vitória Sport Clube

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