Uma discussão (eterna)… ou talvez não!

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Nos anos 80, aquando das primeiras seleções nacionais do polo aquático português em masculinos (Malta, 1987) e ou Egipto – Cairo (1989), na conversa entre jogadores onde eu me incluía na equipa nacional, os diálogos giravam em torno da eventual capacidade de nado para, no mínimo, se conseguir “parar” o contra-ataque adversário. Paulo Azevedo, ou Viegas Faria (ambos do Algés) e exímios nadadores do seu tempo (tinham sido pré-olímpicos e, claro, nadavam mesmo muito) não tinham a mínima dúvida “Quem não tiver nadado a sério, com treinos e resultados na natação acima da média não tem qualquer hipótese a jogar neste nível”- diziam eles, mais ou menos assim, e incluíam-me no lote de nadadores com competência para esse efeito. Havia outros (Vasco Leite, José Vaz ou mesmo Paulo Ramos, hoje conceituado dirigente da LEN).

Na maioria dos selecionados, todos ou quase todos tinham rotinas de treino na natação bem acima da média. O grande problema era o resto. Nível técnico deficiente, poucos (onde eu me incluía) tinham grande dificuldade no remate e ninguém em Portugal sabia, por exemplo, o que era uma zona e a sua aplicação em jogo.

Passados 30 anos, fico muito contente porque o polo aquático português evoluiu exponencialmente, particularmente, na tática, no gesto técnico, na metodologia de treino específico, enfim, em muitas coisas, que, acredito, nos fizeram subir de nível… mas não de resultados!

Confusos? Não estejam. É e será de todo impossível que Portugal em seleções, consiga melhores resultados do que se viu agora em Loulé no “Europeu” de sub-15. (só derrotas e por números muito desnivelados). Sem diferenciar rotinas de treino, níveis elevados nas séries de natação e no vai-vem do jogo (capacidade atlética), mesmo a 600 quilómetros de distância, e via internet, foi possível verificarmos a tal evolução no jogo, na tática e em muitas outras situações (parabéns aos treinadores pelo trabalho desenvolvido e FPN pelo esforço e pela coragem que uma organização destas implica), mas… há que mudar o paradigma porque não dá sequer para jogar com eles!  numa análise muito simplista… eles (todas as equipas) nadam (apenas)… não o dobro, mas… o triplo.

Quando todos os anos se discutem nos clubes, as orientações para a formação de jovens no polo aquático e necessária articulação com as séries mínimas exigidas na componente de natação, talvez fosse boa ideia (re)pensar os modelos existentes atuais, que, está provado… Não chegam (minimamente) para as “encomendas”.

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