Rita e Inês Pereira: “Rivais? A nossa relação é melhor do que a de muitas irmãs que conhecemos”

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São irmãs, mas dentro de água são adversárias. Rita joga no Fluvial Portuense, Inês joga no Benfica e recentemente defrontaram-se na final do Campeonato Nacional Feminino. Em conversa com o Chlorus, as duas irmãs contam como foi jogar uma contra a outra e falam da relação dentro e fora das piscinas.

Rita tem 24 anos e sagrou-se campeã nacional pela primeira vez ao serviço do Fluvial Portuense. Inês tem 19, cumpriu a primeira temporada ao serviço do Benfica e acabou derrotada pela irmã na primeira final que disputaram.

“Já sabíamos que seria inevitável jogar uma contra a outra. Jogámos juntas muitos anos no Gondomar e defrontámo-nos em vários jogos-treino, mas a final de uma competição nacional é sempre diferente. Tivemos sorte por não jogarmos as duas na mesma posição e acabou por não haver assim tanto contacto, mas tínhamos acordado que o que acontecesse dentro de água ficava dentro de água, não íamos levar isso para dentro de casa. Sabemos distinguir as coisas”, explica Inês Pereira.

Para Rita, defrontar a irmã mais nova numa final foi uma sensação estranha, mas não serviu de distração: “É estranho, dificilmente acreditávamos que nos iriamos encontrar numa final. Eu estava muito focada porque nunca tinha ganho um campeonato nacional enquanto sénior, mas tentei manter-me o mais racional possível sabendo que do outro estava a minha irmã.”

Antes do jogo, as duas irmãs falaram sobre a final, mas sempre em tom de brincadeira, com Inês Pereira a admitir ter tentado por várias vezes “descobrir a tática do Fluvial”, embora sem sucesso.

 

Durante o jogo marcaram-se mutuamente durante dois minutos, um lance do qual Rita Pereira saiu com marcas: “Durante esses dois minutos fiquei sem fato de banho. A Inês é toda acelerada e trapalhona e o foco dela foi: “vou-te marcar e não vais sair daqui”. Se fosse outra pessoa, a minha reação tinha sido diferente.”

Inês justifica-se e conta que existiu um cuidado especial da irmã mais velha durante o jogo: “No final ela veio-me de dizer que era escusado ter feito aquilo e partimo-nos as duas a rir. Expliquei-lhe que jogo é jogo, que dei tudo o que tinha e ela percebeu. Da parte dela há sempre aquele cuidado especial de irmã mais velha. Fiz uma cirurgia à coluna e ela sabe que não me pode acertar em certos sítios, teve um cuidado redobrado comigo que não teve com outras jogadoras.”

No que à rivalidade diz respeito, as duas irmãs têm opiniões diferentes. Para Rita não existe rivalidade e “nunca houve nenhuma situação de picardia”. Já Inês é da opinião que “dentro de água vai sempre haver rivalidade, mas fora de água não” e justifica que a relação de ambas é “melhor do que a de muitas irmãs” que conhece.

Para além de Rita e Inês, há outro membro da família Pereira a praticar polo aquático. Francisco Pereira alinha no CDUP e, tal como Inês, chegou à modalidade por influência da irmã mais velha.

“Eu andava na natação, um dia cheguei a casa e a minha mãe disse-me: “vais para o polo aquático”. Chorei baba e ranho porque não queria ir, mas lá acabaram por me convencer e foi a melhor coisa que a minha mãe fez na vida dela. A partir daí incuti isso aos meus irmãos, primeiro foi o meu irmão e quando chegou a vez da Inês já era muito mais natural”, conta a campeã nacional.

Apesar de perdido a final para o Fluvial e para a irmã, Inês Pereira faz um balanço extremamente positivo do primeiro ano de águia ao peito.

“O Benfica é uma equipa espetacular, com pessoas com uma experiência incrível. Há uma entreajuda e uma união muito maiores do que havia no Gondomar, é uma equipa formidável. Tive vários problemas de adaptação no início, quer pela faculdade, quer por estar numa cidade diferente, e se não fosse a equipa do Benfica e as outras meninas a ajudar-me provavelmente já tinha desistido da faculdade.”

As duas irmãs reforçam a ligação que as une e realçam que evitam ao máximo “os socos e pontapés que às vezes acontecem no jogo”, mas se eventualmente acontecerem não vão “sair do lado uma da outra até estar tudo bem”.

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