(Re)inventar o desporto… e… as modalidades aquáticas

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Em pleno período de (enorme) indecisão, no que respeita ao Covid-19 e eventuais ramificações, diga-se, risco(s) de nova vaga e ou de novos surtos, que desporto, que natação e suas vertentes para os próximos meses?

Numa análise meramente subjetiva e pessoal e até pessimista (não o queremos ser, de todo), o desporto pode estar em perigo, pelo menos como o conhecemos até agora e, por arrasto, os profissionais de Educação Física e desporto, treinadores, monitores de natação e ou outros agentes desportivos do setor… também!

Para já, concentremo-nos positivamente nas grandes evidências existentes, neste primeiro período pós confinamento, onde vários de nós (muitos) voltaram a exercer a atividade de treinador, com regras apertadas, mas… possíveis. No clube que represento (esqueçam por favor a publicidade), o Fluvial Portuense criou um conjunto de protocolos rigorosos de limpeza, coordenação de serviços, regras de utilização, pistas com 2/3 elementos no máximo, a par de muito trabalho invisível. São inúmeras as vezes que se elaboram listas, pré-listas, definitivas convocatórias, normas de acesso… etc.

Chega a ser brutal o esforço coletivo e individual efetuado.  Tudo para que se pudesse treinar, exercitar, voltar a nadar… e não apenas as equipas de competição. Também os sócios o podem fazer. Tenho conhecimento que, em muitos outros locais, repetem-se procedimentos rigorosos e todos se estão também a esforçar ao máximo para que seja possível reativar as piscinas, que é o que nos interessa neste caso. Aqui chegados, siga para o passo seguinte que ninguém pode saber neste momento qual é. Treinar sem competir será algo enviesado e até controverso. Faz-se, no entanto, o que se pode e em função das circunstâncias.

Que soluções? É possível competir-se? Como? Temos conhecimento que nalguns países já se fazem torneios internos, pelo menos com jovens, mas sem pais a assistir. O grupo permanece reduzido na sua estrutura base, o local é o mesmo, tudo se insere como se fosse um treino, digamos como num circuito fechado. A solução parece óbvia, eventualmente menos motivadora (os miúdos já se conhecem e o momento não será a mesma coisa que uma verdadeira prova) mas… é o que se pode!

Esta metodologia permitirá, para já, criar alguns momentos de avaliação, digamos mais ou menos competitiva do que tem sido feito no treino. Ao nível do alto rendimento, vai-se realizar uma prova em Loulé (ar livre). Desejamos todo o sucesso. Mais que os tempos ou marcas, queremos que tudo corra muito bem ao nível da segurança sanitária. No entanto, sabemos que a extensão do modelo aos restantes escalões implicará muito trabalho, adaptação e muitos outros procedimentos.

Já ao nível do polo aquático, afigura-se muito difícil criar um protocolo de segurança mínimo, atendendo às características do jogo. Defendi recentemente que entendo ser bem mais seguro jogar polo com o cloro das piscinas, do que jogar futebol, mas todos sabemos que uma modalidade sem grandes meios terá sempre (ainda) mais dificuldades (oxalá esteja enganado)… Ideias? Novas perspetivas?

Apresento uma que até talvez não valha nada. É apenas (mais) uma hipótese em tempo de restrições. Equipas de quatro elementos (guarda-redes incluído). Campo de 15 ou 20 metros à largura.  Medidas mais ou menos estabelecidas e jogue-se, ou neste caso, rematar mais ou menos fixo baliza à baliza. Será mais um exercício de treino, mas… consegue-se e talvez crie motivação e alguma maior competitividade nos atletas desejosos de fazer algo. Adaptem-se regras e jogue-se o possível. Ou os profissionais da área que criem inovação. É preciso pôr a malta a jogar. Só não sei qual é o jogo!

Nos masters, a natação faz-se nos locais possíveis. Mar, albufeiras, rios e também nas piscinas abertas (há muitas ainda fechadas). Não se pense que os masters não gostam de competir, porque isso é rigorosamente falso. Todos gostam e também querem competir, seja no esquema normal (impossível para já), seja ao nível da concretização de uma distância e ou eventual desafio. Também aqui é possível fazer algo. A metodologia será a mesma, que volto a designar por circuito interno e ou fechado.

Organiza-se uma “reunião” de atletas num determinado local (Portugal é riquíssimo do ponto de vista natural e paisagístico), reduz-se o grupo aos colegas de treino e tenta-se realizar a distância. Devem-se sempre seguir protocolos de segurança e do determinado distanciamento sanitário. Mas, relembre-se, os participantes já costumam treinar juntos. O histórico anterior está fixo e deve-se evitar a entrada de novos praticantes de outras paragens. Falado assim, parece difícil e tem riscos. Obviamente que sim. Mas faz-se alguma coisa com as circunstâncias existentes.

Por último, uma palavra de incentivo, de esperança, mas também de muito compromisso das entidades que regem a natação. A Federação e as Associações vão ter nos próximos tempos os seus maiores desafios de sempre. As modalidades precisam drasticamente da sua orientação. É preciso adaptar, reinventar, criar soluções e aplicar no terreno. É tudo novo, é tudo diferente e é mesmo muito difícil. E também deixo um apelo aos meus colegas profissionais das piscinas. Não chega ficarmos parados à espera da solução milagrosa, da ação alheia ou “que caia do céu”. Chegou a hora (também) de nos posicionarmos. É preciso criar novos planos de desenvolvimento, novas formas de competir, noutros moldes, noutros contextos… sobretudo (para já), com outras regras e procedimentos. Aquele ou aqueles que conseguirem novas perspetivas serão os que terão mais sucesso.

A todos os amantes da natação e suas demais vertentes… desejo votos de muita saúde e que consigam manter-se em atividade.

Créditos da foto: Reta aquática de Avis -2019 Facebook

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