Quando Rui Borges venceu em mar aberto

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Quando o treinador nacional das águas abertas venceu a sua primeira e única competição em mar aberto aconteceu na Travessia de Setúbal-Troia.

Hoje fui ao meu álbum de recordações, não é que encontrei uma história que deveria ser contada, numa altura de mais uma edição da Taça do Mundo das águas abertas (FINA), em Setúbal. Uma história de uma pessoa que eu tenho acompanhado desde as suas primeiras braçadas nadadas na piscina da Antas até ao dia de hoje.

Rui Borges é a figura de momento no Clube Fluvial Portuense. É responsável por tudo quanto aquela instituição tem vindo a desenvolver nas águas abertas no setor feminino, ao ponto de se consagrar treinador olímpico naquela modalidade.

Mas vamos à história. Como nadador de águas abertas pela primeira vez participou e venceu a travessia do Rio Sado-Setúbal. Uma travessia com uma distância próxima de três mil metros. Uma altura que as provas de águas abertas da Fina ainda não existiam no calendário internacional.

Recordo esta competição que fui um dos intervenientes como treinador da equipa da SFUAP, uma competição que teve a adesão de algumas das grandes figuras da natação portuguesa que representavam os melhores clubes nacionais, com destaque para FC Porto, Benfica, Algés, Sporting, SFUAP, Belenenses, Acadèmica de Coimbra, Associação Cristã da Mocidade, Club Naval Setubalense, Clube Natação da Amadora e Clube de Natação de Alcobaça.

Os prémios pecuniários foram também aqui um condimento adicional à expetativa puramente desportiva e nos quais se destacava uma semana de estágio em Troia para a equipa vencedora. Reuniam-se deste modo os ingredientes necessários que aliados a um momento propício da época de mudanças no calendário escolar, estas poderão proporcionar um princípio de época diferente, mais motivador, alegre, divertido, com outro espírito de confraternização e de inquestionáveis benefícios para a época de piscina que aí vem a seguir.

É verdade que o tempo ajudou. Mas não se pode olvidar o cuidado posto na organização, desde o pequeno pormenor à excelente escolha da hora e local de partida, bem como a excelente jornada de convívio realizada após a competição que serviu de protesto para distribuição dos prémios.

Rui Borges e a sua mulher Luísa Costa, ambos do FC Porto, foram vencedores absolutos

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A organização proporcionou um horário propício à prova, com uma partida 40 minutos antes da praia-mar, que facilitou bastante a tarefa dos participantes, com um único problema neste tipo de provas: saber resistir ao desgaste provocado por nadar com adversários em cima uns dos outros, como é o caso da partida neste tipo de competições em mar aberto, tornando-se, pois, necessário saber colocarem-se em posições para saídas rápidas para fugir às molhadas!!!

Foi o que aconteceu com o consagrado nadador portista Rui Borges, nadador com um poderio físico, que nos afigura como muito bem talhado para este tipo de provas, sobretudo as mais rápidas que nadou praticamente em relação direta ao local da meta, por sinal uma das notas negativas da organização, enquanto os menos rápidos já tivessem escolhido percursos em diagonal para aproveitar as correntes, que nem sempre produziu os melhores resultados.

Rui, que em bom ritmo de braçadas, era acompanhado por um barco de apoio a onde seguiam os seus treinadores, José Baltar Leite, um conhecedor deste tipo de competições, transmitia ao seu nadador o seu melhor rumo, assim como o Karpov, outro técnico do FCP, não se cansaram de gesticular para melhor o orientarem. Não surpreendeu, portanto que, em braçada vigorosa e com excelente ritmo, tenha chegado ao local da meta com cerca de 200 metros dos seus mais próximos adversários, por acaso foi um seu colega de clube, Carlos Martins, que também fez uma excelente prova, e de Diogo Madeira, nadador do Benfica, que provou também ter estofo de fundista afamado.

Luísa Costa foi vencedora incontestada feminina, além de ser quarta absoluta, de arrepiar os cabelos a muitos dos consagrados concorrentes masculinos e provando, como se  fosse caso disso, que é uma nadadora de grande gabarito, mas que o nunca o quis explorar desportivamente neste tipo de provas.

Rui Borges, pode-se dizer, tem tantos anos de idade como tem de natação. Aconteceu quando de garoto a conselho médico, para se livrar de uma bronquite que o apoquentava praticamente desde que nasceu. Foi graças a muita dedicação e espírito de sacrifício, pondo de lado as suas brincadeiras de criança, as saídas com os amigos e muitos momentos de lazer.

Rui Borges, como nadador de alto rendimento, foi o melhor de sempre no FC Porto, e um dos que deixou história na natação portuguesa.

No seu prosseguimento como técnico começou no seu clube a dar aulas aos mais novos. Mas as suas aspirações eram mais altas, mais tarde entrou para o gabinete técnico do Clube Fluvial Portuense, onde é hoje o seu principal responsável. Como acontece com todos que abandonam os estudos, dedicou-se de alma e coração à modalidade, que o viu nascer. É responsável do grupo de alta competição do Fluvial nas águas abertas, modalidade que se tornou como treinador olímpico.

Quero lembrar que o Rui foi um dos nadadores quando novo fez parte da famosa equipa. Além fronteiras, foram titulados como “Golfinhos”, derivado aos sucessos que alcançaram na Suíça, no Meeting Internacional de Geneve, tendo então alcançado lugares de destaque e possuidor de um elevado números de títulos e recordes absolutos de Portugal.

Ainda se encontra em atividade e com uma posição de destaque e que muito tem proporcionado na atividade de águas abertas, que tenha um futuro muito risonho em Portugal.

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