O herói da travessia do Canal do Mancha (Parte 1)

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Joaquim Batista Pereira nasceu a 7 de março de 1921 (faz no próximo ano o seu centenário de nascimento, não se esqueçam desta data os dirigentes desportivos de Portugal), mesmo junto ao Tejo a onde se banhava com muito prazer, nas fugas, entre as margens nos esteiros lodosos, com a comarca que deu origem à construção da piscina na Hortinha, nos anos 30.

Com os seus dirigentes a começarem a recrutar os rapazes da rua, que fugiam à escola, o Gineto foi recolhido pelo mestre, Ernesto Júlio Galamba, que foi o segundo pai de Batista Pereira. Recolheu-o, vesti-o, alimentou-o, disciplinou-o, sempre com dificuldade.

Mas criava-se o Batista Pereira, e uma nova imagem surgiu nas competições de piscina e no Rio, ao lado do seu mais próximo adversário e companheiro de equipa, Jofre de Carvalho, este também nadador do Alhandra Sporting Clube, que se distinguiu em provas de piscina, nos anos 36. Foi quarto na travessia do Tejo, entre Trafaria e Algés, onde Batista Pereira se classificou em nono lugar.

Batista Pereira revolucionou a natação competitiva em piscina em Portugal, na altura dos anos 30 e 40.

A supremacia incontestada há muitos anos era o Algés, o grande dominador, com nadadores de muito valor, que muito contribuíram para o seu real valor. Pulverizou os recordes absolutos nacionais, desde os 200 aos 1500 metros livres.

Foi o treinador húngaro Tarok, que treinava o Estoril Praia, que nos períodos de inverno lhe incutiu o crol.

Apesar do Trudgen ter um ritmo certo e implacável, levou-o a ser a figura de primeiro plano da natação portuguesa, desde 1938 a 1949, ou seja, dos 17 aos 28 anos.

Com esta qualidade de um nadador invulgar, começou tarde, mas deixou um rastro imperecível, onde chegou a internacional. Fez parte da estafeta de 4×200 livres, campeão ibérico, foi jogador de water-polo, obedecendo à tentação que este jogo exercia sobre os nadadores. Foi um grande nadador, sem ser um grande estilista.

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