Lembrar Mário Simas, melhor nadador de Portugal na primeira metade do século XX (2.ª parte)

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Mário Simas, após os Jogos Olímpicos de Londres, foi irradiado como praticante desportivo por não defender as cores nacionais no 6.º Espanha-Portugal, realizado em Las Palmas, em 28 e 29 de agosto.

Fez diversas diligências com pessoas muito próximas dele, no sentido de demover aquela sua decisão, realçando a enorme quebra que a seleção viria a ter no encontro já aprazado.

Face à recusa de Simas, alegando que depois de Londres não voltaria a treinar, o encontro na altura foi cancelado pela FPN por decisão do diretor geral dos desportos. Mas, dias depois autorizado pelo ministro da educação nacional, o encontro acabou por se realizar nas datas previstas e a pontuação final foi a mais severa até então como se previa, perdendo por 22 pontos. Não tiveram qualquer vitória em natação e no polo aquático foram vencidos por 13-2.

Aconteceu que os encontros entre as duas nações foram suspensos. A natação espanhola progrediu imenso e a 7.ª edição só voltou a ter lugar em 1956 em Algés com nova derrota total portuguesa.

Pela recusa em defender as cores nacionais, Mário Simas foi punido com irradiação desportiva e a sua licença como nadador cessado pela FPN. Naqueles tempos de fascismo a disciplina era mesmo assim.

Ao Alberto Azinhais dos Santos, que durante 14 anos pacientemente o treinou mesmo contra a vontade de muitos técnicos, fica o seu desempenho e as suas qualidades e mérito sejam reconhecidos.

Mudança do Algés para o Estoril Praia

A saída de Mário Simas do Algés para o Estoril ocorreu na primavera de 1943 e foi de deu agrado aos meios desportivos nacionais.

Uma exigência do grande campeão, considerado naqueles anos bélicos da década de 40 um dos mais relevantes nadadores europeus dos 100 costas e desportista nacional de maior projeção, depois de aberta a sequela de um conjunto de colegas de equipa. O presidente do Algés continuou nesse cargo, dada a perseguição e humilhação que fazia ao treinador ao Alberto Azinhais.

O caso agravou-se e Mário Simas, à época jovem de 21 anos, maior de idade apenas pouco mais de 1 mês, foi suspenso dos seus direitos de sócio do clube com efeito em 24 março de 1943, sendo-lhe especificados por carta os motivos de tal deliberação.

No mesmo dia, o campeão fez chegar uma missiva sua à Direção da SAD, apresentando o seu pedido de demissão. A Direção não aceitou, como suspendeu o nadador de forma ativa até nova assembleia geral, e deliberou tal suspensão a 23 associados, todos nadadores oficiais do clube que tinham participado num festival de Natação do Estoril, a 20 de maio.

Poucos meses depois, dois destes atletas, a seu pedido, voltaram ao Algés.

Azinhais dos Santos, treinador principal do Algés e de Mário Simas desde 1934, depois de várias reuniões com a Direção, apresentou a sua demissão a 27 de abril de 1943 com efeito no final do mês.

A Direção da SAD comunicou que aceitava a demissão. Alberto Azinhais, a partir do mês seguinte, passou a ser treinador do Estoril Praia, um dos maiores clubes da natação portuguesa da altura.

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