Jorge Vaz Correia: “As águas abertas são um filme de longa duração com momentos inéditos”

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Jorge Vaz Correia, de 65 anos, é nadador do Salesianos. Em entrevista ao Chlorus, o atleta master afirma que “a natação pura é um comprimido com efeito rápido”, enquanto “as águas abertas são um filme de longa duração com momentos inéditos”.

Como começaste esta modalidade e o que te fez continuar até aos dias de hoje?

Tinha 6 anos e na altura vivia em Luanda (Angola) quando os meus pais me inscreveram no Clube Nun ́Álvares para aprender a nadar. Nessa época, havia uma piscina de 33 metros. Colocaram-me a competir bastante cedo. Foram 17 anos dedicados com paixão. Todos os tempos livres eram passados na piscina com os amigos. Uma amizade que ainda hoje dura, reunimo-nos de dois em dois anos. A natação angolana nos anos 60 e 70 criou várias gerações de grandes nadadores como José Luíz Osório Nunes, José Guilherme Loureiro, Raul Andrade, António Paulo Vasconcelos, Tátá, Liliana Santos, e muitos outros (peço desculpa por não nomear todos porque a lista é grande). Mas também passaram grandes treinadores como Folgado, Luís Vaz Jorge, Eduardo José de Sousa, José Manuel Pintassilgo, entre outros. Em 1972 vim viver para Lisboa e inscrevi-me no Algés. As deslocações em transportes públicos eram de uma hora para cada lado. Passado alguns meses decidi comprar uma mota, largar a natação e ir fazer filhos. Em 2012, por motivos profissionais, saí de Braga e vim viver para Castelo Branco. Comecei a ter muitos tempos livres e resolvi voltar à piscina. Encontrei os Masters como “janela” de voltar à competição. O “bichinho” atacou forte que nunca mais larguei.

Qual o teu estilo e distância preferida?

O estilo preferido foi sempre crol, mas entre os 14/17 anos foi a mariposa nas distâncias de 50, 100, 200 metros, hoje como master mantenho o estilo crol, mas na distância de 400, 800, 1500 metros.

Águas abertas, natação pura ou ambas?

Ambas. A natação pura é um comprimido com efeito rápido. As águas abertas são um filme de longa duração com momentos inéditos.

Quantos treinos por semana fazes? Tens alguma preparação física?

Treino de segunda a sábado. Desde outubro só faço de segunda a sexta. Não faço qualquer preparação física. Não gosto de ginásios.

Quais os teus hobbies para além da natação?

Caminhar e ler.

Outro desporto?

Vela. Nunca tive barco, mas tinha amigos que me emprestavam de vez em quando. Ficou o gosto e sonho.

Qual o momento que te emocionou mais na carreira?

Tenho a felicidade de ter muitos que me marcaram. Ser campeão nacional e absoluto nos 100 e 200 mariposa em 1971 e 1972. Como master foi no Campeonato do Mundo em Kazan (Rússia) com o quatro Lugar na prova dos 3.000 metros de águas abertas nos Campeonatos Nacionais de Espanha (Palma de Maiorca) com o segundo lugar nos 800 metros em piscina de 25 metros, batendo o recorde nacional e por último este ano o Torneio de Fundo na Póvoa de Varzim com primeiro no escalão, terceiro mais pontuado, batendo na mesma prova os recordes nacionais de 800 e 1.500 metros

Tarefa mais difícil até hoje?

Alguns treinos superiores a 5.000 metros.

Tarefa mais fácil?

Colocar a touca e os óculos para treinar.

Como é conciliar a vida profissional, com a de atleta e familiar?

Nada na vida é fácil. Tenho tido da parte da minha mulher (Gena) que me acompanha com muita paciência. Eu reconheço que não sou uma pessoa fácil de aturar quando estou focado num objetivo.

Quando estás numa prova, qual a música ou imagem que pensas?

Gosto de ficar sozinho no “meu mundo”.

Que conselho dás aos masters?

Conselhos? Não sei se serei a pessoa indicada para dar conselhos, mas quem faz o desporto que gosta, o treino, dedicação, paciência e divertimento fazem os resultados aparecerem.

Atleta preferido?

Vários, como Kiki Caron, Shane Gould, Katie Ledecky, Mark Sptiz e Ian Thorpe. Portugueses masters como José Carlos Freitas, José Samuel, Adriano Niz, Marco Vantaggiato, Luísa Bessone Bastos, Isabel Figueira e Susana Gomes.

Filosofia de vida?

Viver o dia a dia, que tudo pode acontecer num minuto.

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