“Gostava que este fosse um Mundial sem casos” (Parte 1)

4
  •  
  •  
  •  

Já decorre o Campeonato Mundial de Natação em Gwangju, na Coreia do Sul, organizado pela FINA em todas as modalidades tuteladas por esta instituição.

Aliás, a comitiva portuguesa alcançou já resultados históricos nas competições de águas abertas e de natação artística.

Domingo, dia 21, começa a competição de natação pura. Serão oito dias intensos, repletos de momentos importantes, tanto para os nadadores nacionais como para os nadadores internacionais, prometendo deixar-nos colados à televisão durante horas, assim algum canal transmita os campeonatos.

De facto, tendo olhado por alto para a programação televisiva dos próximos dias, não consegui encontrar referência à transmissão em canal público ou por cabo, daquela que é a maior competição de natação do mundo, excluindo os Jogos Olímpicos. Espero estar enganado e que os campeonatos sejam transmitidos na sua totalidade, pois é o mínimo que o nosso desporto merece.

Foi-me lançado o desafio de fazer uma antevisão daquilo que espero para estes campeonatos. E assim, ao longo dos próximos parágrafos, espero conseguir resumir aquilo que são as minhas expectativas para os campeonatos em geral e para cada uma das provas.

O que espero é, sem dúvida, uma competição de altíssimo nível, com a elite da natação mundial. Estão a disputar os campeonatos 194 países, número recorde que inclui ainda uma equipa sob a bandeira de Refugiados. Pena é que, em pleno século XXI, por virtude de guerras e políticas, alguns nadadores se vejam sem país, e sem terra, tendo que competir pela bandeira dos Refugiados.

Gostava que este fosse um mundial sem casos. Mas os casos continuam a perseguir a natação mundial. De facto, às vésperas do Mundial vai ser decidido mais um caso de doping de um nadador brasileiro. País de língua portuguesa, com tradição na natação, mas igualmente um país que nos últimos oito anos, desde o Mundial de Xangai, tem tido alguns dos seus principais nadadores envolvidos em casos de doping.

A mão da FINA tem sido leve para a maioria dos casos, portanto a expectativa é grande para ver o que vai acontecer no caso de Gabriel Santos a ser decidido no próximo dia 19 de julho.

Mais grave é o caso da super estrela mundial Sun Yang. Um talento fora de série de conquistas quase sem rival. Um atleta que na Ásia transcende a natação, um pouco como Michael Phelps e Ian Thorpe fizeram pelo Mundo. No entanto, é um nadador constantemente envolvido em polémicas e com um caso de doping de 2018 (o seu segundo na carreira) em que foi absolvido pela FINA, mas contestado pela WADA, estando o seu processo em andamento.

Ou seja, 8 ou 9 meses não bastaram para decidir o que fazer em relação a este atleta, sendo que só em setembro haverá decisão. Se for condenado em setembro, as medalhas que conquistar neste mundial serão retiradas (e vai ganhar mais do que uma medalha), tendo roubado a hipótese de celebração de vitória de um atleta limpo e todas emoções que vêm associadas a esse momento.

Por isso, arrisco dizer, que entramos com o pé esquerdo neste Mundial.

Mais de 10 mil leitores não dispensam o Chlorus.
Fazer jornalismo de Natação tem um custo e por isso
precisamos de si para continuar a trabalhar e fazer melhor.
Torne-se nosso assinante por apenas 12€ por ano e
tenha acesso a todos os conteúdos Premium.



Comentários