Depois do Rio 2016: Que critérios de apuramento para Tóquio 2020…

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Há cerca de ano e meio ficámos a conhecer os critérios de apuramento para a maratona olímpica de águas abertas. Curioso ou não, os critérios de classificação para as águas abertas dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 são os mesmos utilizados em Londres 2012.

Foram selecionadas 25 vagas para cada sexo, num total de 50 participantes. A luta pelas vagas começou em Kazan, no Mundial de 2015. Foram na altura definidos os 10 primeiros classificados de cada sexo. No Mundial, foi a única oportunidade de cada nação colocar dois homens e/ou duas mulheres na prova olímpica dos 10 km do Rio 2016, apenas se ambos terminassem entre os 10 primeiros classificados. Se apenas um em cada sexo terminasse nos 10 primeiros, não teriam mais nenhuma oportunidade de adicionar um possível segundo nadador. Assim, para além das 10 vagas definidas em Kazan, outras 15 seriam conhecidas na prova de Setúbal, realizada no mês de junho de 2016. Nesta competição foram selecionados os nove primeiros colocados de cada sexo. As seis vagas sobrantes foram distribuídas por continentes. Uma em cada continente para termos todos os cinco continentes participando e uma última vaga seria para o Brasil, como país sede caso não tivesse alcançado nenhuma vaga nas qualificações anteriores.

Porquê se insiste em levar avante um sistema de qualificação obsoleto e injusto? Este sistema de qualificação permite que a competição seja redutora em termos competitivos, na medida em que muitos dos melhores nadadores ficam automaticamente impedidos de participar a um ano dos Jogos Olímpicos, ou seja, no Mundial do ano anterior.

Nenhum Campeonato do Mundo é realizado com apenas 25 nadadores, sendo quase sempre em dobro. Para além disso, aumentar o número de participantes não tornaria a prova mais extensa em termos de calendário, mas tornaria sim muito mais competitiva aquela competição que se pretende que seja a mais importante da natação de águas abertas.

O Ciclo Olímpico…

Mundiais – Feminino

2013 – 1. Poliana Okimoto (BRA) 1h58m19s2; 2. Ana Marcela Cunha (BRA) 1h58m19s5; 3. Angela Maurer (GER) 1h58m20s2

Participaram 51 nadadoras

2015 – 1. Aurélie Muller (FRA) 1h58m04s3; 2. Sharon Van Rouwendaal (NED) 1h58m06s7; 3. Ana Marcela Cunha (BRA) 1h58m26s5

Participaram 55 nadadoras

Mundiais – Masculino

2013 – 1. Spyridon Gianniotis (GRE) 1h49m11s8; 2. Thomas Lurz (GER) 1h49m14s5; 3. Oussama Mellouli (TUN) 1h49m19s2

Participaram 65 nadadores

2015 – 1. Jordan Wilimovsky (USA) 1h49m48s2, 2. Ferry Weertman (NED) 1h50m00s3, 3. Spyriodon Gianniotis (GRE) 1h50m00s7

Participaram 70 nadadores

Para o Rio 2016, ficaram apuradas 25 nadadoras, em representação de 23 países, das quais apenas 8 estiveram presentes em Londres e apenas 4 estiveram presentes em 2008. Ficaram nadadoras de fora das possibilidades de apuramento logo em Kazan, caso de Becca Mann (14.ª no Mundial), Coralie Codevelle (16.ª no Mundial), Aurora Ponsele (22.ª no Mundial), Angela Maurer (23.ª no Mundial).

Nos homens, ficaram apurados 25 nadadores, igualmente em representação de 23 países, dos quais apenas 6 estiveram presentes em Londres e apenas 5 estiveram presentes em 2008. Ficaram nadadores de fora das possibilidades de apuramento logo em Kazan, caso de Axel Reymond (12.º no Mundial) e Daniel Fogg (14.º no Mundial).

Outros grandes nomes das águas abertas ficaram de fora na qualificação olímpica tais como Gergely Gyurta, Simon Huitenga, Andreas Waschburger, entre outros, porque aqui apenas se podia qualificar um único nadador por país.

Parece-me estranho que na maior competição a nível mundial, que se realiza de quatro em quatro anos, não estejam presentes realmente todos os melhores nadadores do mundo da especialidade. Caricato como uma doença em Kazan e/ou uma pancada mais dura durante a partida em Setúbal poderia colocar de fora qualquer um dos melhores nadadores do mundo desta modalidade.

Assim deixo uma sugestão à FINA…

– Porque não rever os critérios de seleção para uma modalidade que tem crescido muito quer em termos competitivos, quer em termos de interesse na sua visualização e acompanhamento, bem como na angariação de patrocínios para a realização de eventos de águas abertas. O aumento do número de nadadores selecionáveis traria obviamente maior competitividade, incerteza na vitória e consequente espetacularidade, manifestando evidentes melhorias ao nível do acompanhamento in loco da competição, bem como em termos económicos.

Então porque não realizar uma competição com um número de participantes próximo daquele que vemos em Campeonatos Mundiais? O aumento do número de nadadores não obriga sequer a alterações do programa olímpico para a modalidade.

Assim ficam as minhas sugestões:

– Alargar o número de qualificados no Mundial que antecede, permitindo que os países mais fortes aumentem a possibilidade de qualificação do segundo nadador mais forte (eventualmente até ao 20.º classificado).

– Qualificação automática de um número de nadadores a definir, de acordo com a classificação final do Circuito de Taças do Mundo (10km) nos três anos anteriores (eventualmente até ao 5.º classificado, desde de não fique automaticamente apurado pelo critério anterior).

– Na qualificação olímpica qualificarem-se até ao 15.º classificado, desde que no lote de apurados estejam representados os 5 Continentes, podendo apurar-se igualmente um país que tenha outro nadador já apurado nos critérios anteriores.

Aumentam as possibilidades de apuramento de 2 para 5 oportunidades, sendo que 3 delas num circuito que privilegia a participação e regularidade como são os circuitos mundiais de águas abertas. Esta forma de critério proporcionará eventualmente que todas as etapas tenham maior participação e adesão dos países, possibilitando tornar todas as etapas competitivas, independentemente da altura do ano em que se realizam.

Desta forma, independentemente da qualificação de algum português, teríamos certamente uma competição de excelência com os 50 melhores nadadores de águas abertas do mundo.

 

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