Confederação pede reunião de emergência com Secretaria de Estado da Juventude e Desporto

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A Confederação do Desporto de Portugal (CDP) pediu, esta quarta-feira, uma audiência urgente à Secretaria de Estado da Juventude e Desporto (SEJD) para analisar as últimas orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para o desporto e competições desportivas.

Numa nota publicada na página oficial, a Confederação explica que reagiu “com surpresa e preocupação” à publicação da Orientação n.º 36/2020 da DGS, que estabelece as condições de retoma da prática desportiva, em face das “dificuldades de aplicação das normas nele inseridas”.

“Não estão em sintonia com o que tinha recentemente sido prometido e cuja aplicabilidade (das orientações) será, em muitos casos, senão impossível, pelo menos muito difícil”, explica a CDP.

O organismo refere, também, que “disponibilizou-se para fazer parte de um grupo de trabalho que incluísse técnicos da DGS e da SEJD” tendo em vista encontrar “as melhores soluções” para o regresso do desporto de competição que, “como uma das maiores áreas de sucesso deste país, não pode continuar parado”.

“Tal não foi possível, o que nos faz pensar, mais uma vez, que o peso do desporto de competição, o único que traz dividendos ao panorama desportivo nacional, continua a ser desconsiderado. O resultado foi dispormos desta Orientação (da DGS), a qual constitui um verdadeiro espartilho ao trabalho das federações desportivas”, conclui a publicação.

As federações desportivas devem avaliar a obrigatoriedade de realização de testes à covid-19 em cada desporto, após a Direção-Geral da Saúde enquadrar “critérios” para ajudar à decisão, referiu ontem a secretaria de Estado da Juventude e do Desporto.

De acordo com uma carta enviada pelo gabinete de João Paulo Rebelo às federações desportivas, a atualização das normas que regem a retoma do desporto em Portugal publicada pela DGS não pressupõe obrigatoriedade de realização de testes.

“A realização de testes para diagnóstico de COVID-19 poderá ser considerada pelas federações e clubes, sendo que, para este efeito, a DGS enquadra critérios com o objetivo de os auxiliar na decisão de realizar ou não os referidos testes”, pode ler-se comunicado.

A carta não esclarece se esta decisão federativa abrange os desportos de alto risco, definidos pela DGS como sendo o râguebi, os desportos de contacto, como o judo, e outros como o polo aquático e a ginástica acrobática.

António José Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação, considerou ontem, em declarações ao Chlorus, que “o Estado terá de assumir a responsabilidade dos testes”, na sequência das novas medidas da Direção Geral de Saúde anunciadas e que colocam o polo aquático no grupo de alto risco, acrescentando que “a FPN já assumiu responsabilidades financeiras de 750.000 com a covid-19”.

Segundo António José Silva, a FPN vai “questionar a DGS sobre os critérios para esta classificação”, uma vez que discorda da mesma.

Questionado sobre a possibilidade da FPN reformular o calendário de competições e arrancar os campeonatos mais tarde, o líder federativo refere “pode ser equacionado”, mas “só depois de esgotadas todas as possibilidades”.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou esta terça-feira as normas para a retoma das competições de modalidades desportivas coletivas, incluindo o polo aquático e os desportos de contacto no grupo de alto risco.

A atualização das normas permite a retoma de modalidades como o futebol não profissional, andebol, futsal, basquetebol, voleibol e hóquei em patins, encarregando as federações e os clubes de avaliarem o risco de contágio de covid-19 e de “elaborar um regulamento específico para a prática desportiva, em contexto de treino e em contexto competitivo, de acordo com a estratificação de risco da modalidade”.

Além do polo aquático, estão incluídos no grupo de alto risco de contágio, os desportos de contacto, entre os quais o judo, e modalidades como o râguebi e a ginástica acrobática.

As modalidades incluídas no grupo de alto risco devem, ao abrigo das normas da DGS, realizar testes até 48 horas antes da competição, dos quais estão dispensadas as modalidades do grupo de médio risco, sempre que se trate de treinos ou “competições entre equipas de zona(s) sem transmissão comunitária ativa”.

A DGS obriga a que as modalidades de médio risco realizam testes aleatórios até 48 horas antes da competição, sempre que as equipas compitam em zonas de transmissão comunitária ativa da doença.

As medidas hoje divulgadas preveem a elaboração de um plano de contingência próprio para a covid-19, no qual devem constar os locais de treino e competição, as suas condições de higiene e segurança e a identificação da área de isolamento para casos suspeitos da doença.

Segundo o documento, “não devem ser realizados treinos simultâneos com partilha de espaço por equipas diferentes, exceto jogos de preparação e treino pré-competições” e deve ser usada máscara sempre que não esteja comprometida a segurança do praticante.

A DGS aconselha funcionários, elementos das equipas técnicas e praticantes a efetuarem “a automonitorização diária de sinais e sintomas e abster-se de ir trabalhar, treinar ou competir, se surgir sintomatologia compatível com covid-19”.

As normas hoje divulgadas pressupõem que todos os praticantes e equipas técnicas assinem “um Código de Conduta/Termo de Responsabilidade, no qual é assumido o compromisso pelo cumprimento das medidas de prevenção e controlo da infeção por SARS-CoV-2, bem como o risco de contágio por SARS-CoV-2 durante a prática desportiva, quer em contexto de treinos quer em contexto de competições”.

Em 29 de maio último, a DGS já tinha dado autorização para a realização de atividade física em espaços fechados, mas de forma individual.

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