Centenário do Belenenses: Braçadas de glória

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Na continuação da história da natação nas comemorações do Centenário do Belenenses

Nas décadas 50-70. Nestas alturas, a natação do Belenenses começava a agitar-se, com a sua versão inovadora e pouco expectável de um sucesso a nível regional como nacional e internacional nas modalidades, natação pura e águas abertas.

Armando Mendes, técnico principal de toda a natação do clube, “um Mestre” incansável, todo o seu tempo   disponível, da sua vida profissional o dedicava de alma e coração e muita paixão, na programação para a equipa que treinava no tanque e nos rios de Portugal.

Assistiu-se neste trabalho, onde se relata através da sua vivência, de um cidadão e de um treinador, um conjunto de factos que permitiu entender os grandes progressos da equipa de natação no clube.

Armando Mendes, como Humberto Azevedo e Fernando Azevedo, são um retrato perfeito de conhecimentos vividos intensamente, tanto nas piscinas nacionais, como no tanque, como a bordo do bote a remos para preparar os nadadores para as provas de rio e mar.

Este conjunto de técnicos construiu um conjunto de nadadores que levou, bem alto, o nome do clube ao mais alto pedestal da natação portuguesa.

Na década 50, a equipa de natação e de polo aquático, era o seu treinador Delfim da Cunha, com o seu falecimento no princípio deste período, vindo o seu lugar ser preenchido pelo Luís Carlos Reis, que viria a ser responsável até 1955, por altura eram os mais destacados, Armando Mendes, Humberto Azevedo, Fernando  Azevedo,  Homero Serpa, Manuel Álvaro Batista, Nuno Sampaio, Ricardo Mendes, Edmundo Leal Dias, Orlando Nascimento, Lúcio Faria, Alberto Morais, Carlos Canhão, José Pampulha, Egídio Serpa, Carlos Casinhas e muitos outros que começavam a dar nas vistas.

Neste grupo, em que havia nadadores polivalentes, iam a todas, provas de 33 metros até às maiores travessias e ainda participavam em jogos de Water-Polo como por exemplo Edmundo Leal Dias, Armando Mendes, Humberto Azevedo, Homero Serpa, Aparício Pereira e Fernando Azevedo.

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Na natação pura, nesta época, muitas classificações de relevo em nacionais e regionais, pelo Armando Mendes Edmundo Leal Silva e Manuel Batista.

Nas épocas de 1955 a 1957, já com orientação de Armando Mendes, construiu um conjunto de jovens nadadores dos escalões etários mais novos, que os levaram em alguns torneios e campeonatos regionais e nacionais, em confronto com os melhores nacionais, nas conquistas de vários lugares nos pódios.

Isto era possível graças a jovens de ambos os sexos que treinavam diariamente no tanque do Jardim Colonial, o famoso “Caldo Verde,” ou usando imagem torrifico, tanque dos crocodilos.

Eram jovens promissoras que começavam a dar nas vistas, como Cidália Nogueira, Maria José Queimado, Virgínia Pontes, Silvina Ramalheira, Natalina Silva, Vitorina Matoso Vargas, Maria Astrides, Helena Delfina, Arminda Nascimento.

No setor masculino, a equipa reforçou-se com entrada de gente que veio de outros clubes, caso de José Freitas, José Pintassilgo, Albano Fidalgo, Vítor Caldeira, Américo Arpa, Miguel Jesus, Guilherme Tibaldi e muitos outros que mais tarde se vieram integrar na equipa.

Neste período, começou-se a formar uma equipa para as provas de rio e mar. Foram um solário enorme de triunfos em diversas competições que se realizavam em diversas partes do País, isto derivado à falta de piscinas, por isso os técnicos aproveitavam este tipo de competições para treinarem resistência.

Aqui, deixo uma síntese das quantidades de provas que se realizavam: Na abertura da época,  Meia-milha e Milha,  estas ao correr da muralha da Junqueira, Travessia do Tejo, entre Trafaria e Algés, Pequena  Travessia de Lisboa, entre Terreiro do Paço-Alges, Vila Franca de Xira-Alhandra, Monchão de Póvoa-Póvoa,  Cascais-Paço de Arcos, Sesimbra, Caxias-Paço de Arcos, Travessia do Porto, no Rio Douro, Travessia do Saco e muitas mais.

O Belenenses tinha um lote de nadadores mais especializados para este tipo de competições: Ricardo Dinis Mendes, Humberto Azevedo, Joaquim Lara, Homero Serpa, Silvestre Rivero, Raimundo Magalhães, José Manuel Pintassilgo, Augusto Sabuqueiro, Ernesto Severino e muitos outros no setor feminino, como Cidália Nogueira, Helena Delfina Escalão e nas competições mais curtas outras participavam com objetivos de treino.

Entretanto, nasceu uma comissão de apoios à ida de José Freitas a fazer a Travessia do Estreito de Gibraltar, constituída pelo então Presidente do clube Mota da Silva, Dr. José Pampulim, Albano Oliveira, Alfredo Ribeiro, Luís Ribeiro e o cronista do jornal do clube, Mimoso Freitas.

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Ainda uma comissão técnica, Armando Mendes, o principal responsável, que tinha a tarefa do planeamento dos treinos no Rio, quando não havia competições nos fins de semana e treino diário no tanque.

Foram milhares as milhas percorridas em diversos rios como o Tejo, Douro, Aveiro e Sado, até que chegou a altura de concretizar um dos grandes objetivos que era melhorar o tempo de Batista Pereira na prova entre Terreiro do Paço a Cascais. Aconteceu no dia 15 de julho de 1960, a distância de 33 quilómetros foram percorridas em 5 horas e 8 minutos.

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