Cavaleiro Madeira, “mecenas” da natação portuguesa (segunda parte)

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Para a modalidade de natação em Portugal, chegar onde se encontra, passou por muitos percalços e que merecem ser lembradas.

Entre muitas, quero aqui voltar a lembrar o Eng. Cavaleiro Madeira, que nós o podemos titular com o “Mecenas” da natação portuguesa.

Lembrando a sua passagem pelo Benfica, como dirigente da modalidade, foi uma pessoa de vulto da construção da piscina do Estádio da Luz, na parceria com Oliveira e Silva, assim com os responsáveis pela ida do treinador Sintaro Yokochi, como o responsável pela estrutura da natação do Benfica.

Quando basculhava o meu baú de memórias, encontrei uma que vem ao encontro da minha última história do Presidente da Federação, nos anos de 1970-1980.

Nem tudo foram rosas porque teve os seus espinhos no decorrer da sua liderança na Federação.

Houve muitos que também o contestaram por certas atitudes, que não olhava a meios, fossem eles quais fossem, desde técnicos, nadadores e dirigentes.

Neste caso, o seu secretário-geral, Comandante José Vicente Moura, dizia ele na altura, “De contas, só se sabia que se devia muito dinheiro ao Presidente”.

E foi sobre este assunto que fui encontrar nos meus recortes de jornais, um que veio mesmo a calhar sobre este mesmo caso, publicada no jornal A Bola, de 1979. Dizia o Comandante, “As contas de 1977 só há pouco foram apresentadas e julgo que as 1978 não estão prontas. Por isso, quando a minha Direção tomou posse, vimo-nos, logo à partida, na situação de ser completamente impossível aos elementos da Direção conhecerem qual a situação financeira.

Sabíamos, apenas, que a Federação devia grandes verbas ao Presidente, mas só isso, e pouco.

Entretanto, o afastamento progressivo de alguns membros fez com uma enorme sobrecarga de trabalho viesse a recair sobre dois ou três elementos com as consequentes dificuldades em minimamente controlar a situação.

A homologação de “recordes” começou a fazer-se, com grandes atrasos, e correspondência a ser respondida sempre com atraso, os comunicados a serem feitos. Começou a ser um trabalho de improvisação, de sacrifício de alguns, sempre sujeitos a ataques de pessoas ligadas às Associações e a clubes, começando a desenhar-se um clima de descrédito.

Rui de Oliveira e eu apresentámos um plano de reorganização, que foi aprovado em linhas gerais, uma que nunca foi posta em prática até hoje. No sentido de se resolver o problema, houve uma série de dirigentes que pediram a sua demissão. Foi um vice-presidente, depois um vogal, outro vogal e finalmente eu também.

A Federação ficou assim reduzida a cinco membros, mínimo indispensável para ter “quórum”. O Presidente do Congresso faria, então, uma diligencia pedindo aos demissionários para se manterem em funções, havendo o compromisso de, rapidamente, se finalizarem as contas e convocar um Congresso para apresentar as contas de 1977-1978-1979, em princípio de 1979, apresentando então os dirigentes da sua demissão para se realizarem novas eleições.

Ora, estamos em maio de 1979 e não se apresentaram as contas, nem se fez o Congresso.

Comecei por manter-me em funções, mas quando constatei que as promessas não eram cumpridas (eu fiz a minha parte, terminando, em 1978, o relatório desportivo de 1977-78, tal como eu comprometera), pedi a demissão pela segunda vez.

A natação, neste momento, em Portugal, tem um nível razoável dentro do Desporto Português. Progride-se rapidamente dentro da modalidade devido ao esforço dos clubes, nadadores e associações, com todos os sacrifícios inerentes, mas a Federação não fez aquilo para que se formou, isto é, dirigir a Natação em Portugal. Pois, em vez de dirigir o Desporto em Portugal, a Federação vive a reboque os problemas, tentando resolve-los depois de eles surgirem, mas mostrando-se incapaz de traçar diretrizes, orientações, rumo.

Foi a partir desta época que entraram em cena nomes fortes neste enquadramento, todas eles contribuíram com os seus trabalhos sempre por uma natação em Portugal melhor…

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