CAR Rio Maior – O presente e o futuro!

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A primeira vez que ouvi falar de um centro de Alto Rendimento em Portugal, nadava eu no Sporting Clube de Braga, ou seja, passaram quase 20 anos.

Grandes histórias fui ouvindo, em nada compatíveis com o que se pretende para um local onde se deveria respirar alto rendimento desportivo. Passados muitos anos, surge a experiência de Montemor-o-Velho, com muitos altos e baixos, fruto da falta de condições estruturais e desconfiança no processo.

Com esta direção da FPN, liderada pelo António José Silva, surge em 2013/2014 o CAR de Rio Maior com todas as infraestruturas necessárias para a preparação para o alto rendimento.

Com um primeiro ano que serviu principalmente para verificar as restantes necessidades para atingir o alto rendimento necessário, a FPN, para a época 2014/2015, optou por contratar um treinador fora do nosso país, o até então desconhecido Aurélien Gabert, com algum desagrado interno, que logo na primeira competição dessa época (Meeting do Algarve) os nadadores davam algumas indicações que o sucesso vinha a caminho. Obviamente que não existem treinadores perfeitos, mas o que o melhor caracteriza são os resultados alcançados e principalmente a autonomia responsável que se observa nos nadadores que com ele trabalham.

Recebeu maioritariamente, ao longo destes dois anos, nadadores de seleção nos escalões de Juvenis e Juniores, alguns deles já com um nível desportivo bastante elevado. O que procurei fazer foi analisar a progressão antes e após dois anos de trabalho no CAR de Rio Maior. Para isso, calculei a média das cinco melhores provas em pontuações FINA realizadas em cada anos e só em piscina de 50m. Utilizei apenas cinco nadadores: Miguel Nascimento, Victoria Kaminskaya, Diana Durães, João Vital e Guilherme Pina. Os resultados foram os seguintes:

– Miguel Nascimento: 2013/2014-769, 2014/2015-790, 2015/2016-814

– Victoria Kaminskaya: 2013/2014-765, 2014/2015-783, 2015/2016-805

– Diana Durães: 2013/2014-706, 2014/2015-756, 2015/2016-800

– João Vital: 2013/2014-700, 2014/2015-738 2015/2016-756

– Guilherme Pina: 2013/2014-661, 2014/2015-712, 2015/2016-739

Analisando os dados verificamos que, em dois anos, obtiveram uma melhoria de 9%, sendo que no 1º ano a melhoria foi de 5% e no 2º ano de 4%. Ainda a salientar que todos estes cinco nadadores têm marcas que valem mais de 800 pontos da Tabela FINA. A prova mais valiosa foi atingida por dois nadadores (Miguel Nascimento e Victoria Kaminskaya), com 857 pontos.

Existem sempre alguns nadadores que não se adaptaram ou que não evoluíram, mas se o aproveitamento for sempre desta forma então acho que vale a pena continuar este processo e se possível aperfeiçoá-lo.

Deixo para isso duas sugestões que podem obviamente ter opiniões diversas, mas que de acordo com a minha perspetiva podem trazer melhorias na procura e visibilidade do CAR de Rio Maior, bem como na facilidade de implementação de novos Centros de Alto Rendimento:

– Realização de Campos de Treino com duração de uma semana para nadadores que tenham sido identificados e que cumpram com os tempos de admissão, mas que por algum motivo decidiram não ingressar no CAR de Rio Maior. De forma a não interferir com a dinâmica de grupo e com o trabalho anual, eventualmente realizar estas semanas após o final das competições principais. Os motivos que impediram o seu ingresso podem ficar desvanecidos neste período;

– Criação de um micro site com ligação ao site da FPN, que sirva de divulgação do Centro de Alto Rendimento, com informações de funcionamento, algumas regras gerais, notícias sobre as atividades desenvolvidas, curriculum dos nadadores envolvidos, entre outros aspetos que se entendam como importantes para potenciar o interesse dos eventuais candidatos.

Como não estou por dentro da estrutura, não me reconheço capacidade para refletir o funcionamento do CAR de Rio Maior relativamente a todas as condições e condicionantes necessárias para se poder falar em alto rendimento. Mas a própria estrutura da FPN, ao longo do processo, deve estar a efetuar o devido controlo das consequências do contexto social em relação a cada nadador, bem como ter perfeitamente identificadas necessidades relativamente ao contexto de treino.

Para finalizar, quero apenas manifestar o meu reconhecimento público pelo excelente trabalho realizado pela equipa técnica do CAR Rio Maior, liderada pelo treinador Aurélien Gabert e aos nadadores que o integram, bem como à FPN que continua a apostar nesta forma de trabalho, esperando que tenha a capacidade de refletir e alavancar ainda mais este projeto.

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