Aldo Costa: “Congresso da APTN foi provavelmente o maior e o mais internacional de sempre”

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Aldo Costa, presidente da Associação Portuguesa de Técnicos de Natação, em entrevista ao Chlorus, considera que o 42.º congresso “foi provavelmente o maior e o mais internacional de sempre”, adiantando que a edição de 2020 poderá ser em Odivelas.

Que balanço faz do congresso da APTN realizado em Portimão?

Muitíssimo positivo. A organização local foi extraordinária, com destaque para as instalações cedidas pela autarquia e o notável acompanhamento logístico por parte dos seus funcionários, do Portimão Arena e da Portinado, com destaque particular para o colega Paulo Costa. A participação foi dentro das nossas expectativas mais otimistas (acima dos 450 congressistas), considerando o início do ciclo de renovação de cédula profissional. A qualidade formativa foi inquestionável e amplamente elogiada. Fizemos um enorme esforço de internacionalização, tornando este congresso muito provavelmente o maior e o mais internacional de sempre – 11 oradores internacionais, com destaque particular para os oradores das sessões plenárias (Fernando Navarro, David Pyne, Antonio Oca Gaia, Juan Moreno Murcia e Didier Chollet). As 24 propostas de comunicações livres recebidas (12 aceites para comunicação oral) foram igualmente um excelente indicador de relevância deste congresso junto dos nossos técnicos, que se propuseram a partilhar a sua experiência, e sobretudo junto das instituições de ensino superior, que anual privilegiam este evento para apresentarem os resultados mais atuais da investigação produzida em Portugal. Será importante ainda salientar a interação social que este evento permitiu entre colegas de profissão. Esta edição, que estreou um novo modelo, conferiu mais destaque à cerimónia de reconhecimento de mérito (treinadores do ano e prémio carreira), colocando a sessão num contexto de livre acesso e criou mais oportunidades para “network” entre colegas, como foi o “swimset party”, no dia 27 de abril.

Que conclusões principais se podem tirar desta edição?

Com quase meia centena de conferências, realçar conclusões principais é difícil e talvez algo discriminatório, atendendo que todos os oradores foram nossos convidados e partilharam connosco conhecimento muitíssimo atual. Não tenciono, por isso, destacar conclusões isoladas porque todas as conferências foram cuidadosamente selecionadas para tornar esta edição inquestionavelmente valiosa. Existem, porém, importantes considerações que resultam de projetos estratégicos que esta direção assumiu como fundamentais e corporizam a missão estatutária desta associação de classe.

Que projetos são esses?

São projetos estruturantes sobre os quais temos trabalhado em conjunto com a FPN e foram discutidos na Assembleia Geral do passado dia 26 de abril. O primeiro projeto diz respeito à consciencialização social e politica do valor educativo da competência aquática, com três ações concretas definidas para 2019: (i) o seminário internacional de competência aquática (promovido pela FPN, com a parceria da APTN), que ocorreu no passado dia 17 de janeiro (Carcavelos), e no qual se procurou divulgar as boas práticas internacionais do ensino da natação em contexto escolar e apresentar sumariamente a nossa proposta estratégica para Portugal; (ii) a iniciativa editorial conjunta de um livro infantil sobre a familiarização ao meio aquático, apresentado no dia 27 de abril, e que será submetido ao plano nacional de leitura; (iii) o pedido de reunião com os grupos parlamentares para a apresentação da nossa proposta técnica e legislativa para a inclusão da competência aquática enquanto conteúdo curricular obrigatório na disciplina de educação e expressão física-motora no primeiro ciclo do ensino básico. O segundo projeto diz respeito ao exercício representativo da APTN de todos aqueles que exercem funções técnicas no âmbito da natação em Portugal. A APTN deve contribuir para reforço e dignificação da situação profissional dos técnicos de natação, muitas vezes assente em contratos laborais e vínculos de natureza precária. Por isso, convidamos a FPN, que prontamente aceitou, para connosco trabalhar numa proposta de definição de valores de referência de base para a remuneração dos técnicos de natação que exercem funções técnicas no domínio não desportivo (e.g., ensino da natação). É nosso objetivo conjunto (APTN e FPN) que os valores remuneratórios de base sejam aplicados aos técnicos integrados em entidades que celebraram contratos com a FPN no âmbito do projeto “Portugal a Nadar”. Consideramos, por isso, que esta medida poderá ter uma repercussão social importante, em prol da dignificação profissional dos técnicos de natação.

Que contributo espera que este congresso tenha dado ao Programa Portimão Cidade Europeia do Desporto 2019?

Com a moderação necessária, gostaria de dizer que estou muito satisfeito com a relevância da marca “APTN” junto da ACES Portugal e dos Municípios que anualmente são nomeados e eleitos “cidades europeias do desporto”. Pela forma como anualmente somos recebidos, estou certo que o contributo é claramente significativo e sobretudo em dois eixos: (i)       no plano formativo dos profissionais de desporto em geral e de natação em Portugal – este congresso é dos mais antigos e atualmente dos mais participativos em Portugal; (ii) no incentivo à prática da natação junto da população local – talvez mais nenhuma prática de exercício físico corporize de forma tão abrangente e para tantas faixas o carácter dual da pratica desportiva e utilitária, o que atribui ao técnico de natação um papel social fundamental.

Já é possível levantar o véu do local onde será o próximo congresso?

Fizemos duas reuniões exploratórias com o município de Odivelas, cidade europeia do desporto 2020. Não existe para já qualquer formalização desta parceria, que está em análise pelo executivo. Apenas posso referir que o interesse de ambas as partes é manifesto.

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