A valorização do treinador português!

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Não seria preciso falar da grande evolução registada nos últimos anos no desporto português, seja nas modalidades ditas individuais, seja nos desportos coletivos e ou nas emergentes ou improváveis (surf, papel e ou outras).

Temos vindo a assistir a um claríssimo progresso em todos os desportos, desde logo também no futebol onde fomos campeões da Europa e exportamos treinadores de altíssimo nível. Para a Europa, para a Ásia, América Latina, China, África, enfim para todo o mundo e com brilhantes resultados obtidos.

Talvez o futebol seja um caso à parte, mas são conhecidas prestações de treinadores lusos por esse mundo fora e nas mais variadas modalidades.

O polo aquático nunca foi um desporto fácil e consensual. Aliás, todos o sabem, é uma modalidade difícil e complexa, que alia força, resistência, luta corpo a corpo e grande raciocínio mental e nunca teve grande tradição em Portugal. Todos conhecemos os demais problemas estruturais existentes, dificuldades de reunião e coordenação com a natação pura, organizações deficientes e escassez de meios e de agentes desportivos em quantidade e qualidade que assegurem, avaliem e desenvolvam os projetos existentes. Por isso mesmo, o treinador tem um papel muito desgastante no processo e a sua tarefa em Portugal torna-se quase sempre hercúlea para conseguir chegar a patamares de sucesso.

Apesar de tudo, fomos assistindo ao longo dos anos a um conjunto de técnicos portugueses que com muito pouco fizeram… muito. Foram anos de muita complicação, incompreensão e outros nãos (muitos) mas um longo trabalho foi conseguido. Eu sou do tempo em que nós não sabíamos aplicar um sistema de zona em campo…Gostava de nomear alguns deles, sem desrespeito para outros porque admiro muito o trabalho de todos os portugueses que escolheram o polo aquático para serem treinadores em Portugal. Pedro Sarmento, que nos anos 80 conseguiu os primeiros cursos para treinadores, Nuno Paz com o seu Algés demolidor nos anos 90, Nuno Mariani com o Salgueiros com títulos atras de títulos e muitas participações europeias, Lena Barros que vence um título masculino com a Amadora e já no novo século, João Pedro Santos e ou Fernando Leite, novamente com o Salgueiros (infelizmente extinto) de novo campeões, ou o jovem Ricardo Sousa que em Paredes conseguiu também campeonatos. Todos são portugueses e o polo aquático nacional deve-lhes quase tudo!

Subitamente, um dos nossos companheiros (Tiago Santos) conhecido nos meios polistas por sacha, recebe um convite de Espanha para treinar a primeira divisão. Não é o primeiro português a ter uma experiência lá fora. Para trás fica uma prestação de um antigo jogador do Oeiras e Belenenses (Ricardo Freitas) que desenvolveu importante projeto no polo aquático numa comunidade escolar dos Estados Unidos, que é algo que poucos saberão. Mas este convite é diferente. O nosso Tiago vai mesmo para um dos campeonatos mais importantes da Europa.

Será fácil apoucar, desvalorizar e até ignorar a situação perante um local periférico de Sevilha onde Sacha irá desenvolver o seu trabalho. Quem o fizer ou tentar não valerá rigorosamente nada e não terá a devida noção da referência que um acontecimento destes tem para o polo aquático nacional e, muito importante para os seus técnicos. Seria importante que quem ler este texto não entendesse este elogio como qualquer fator de proximidade. Até porque Tiago Santos tem provas dadas, muitos títulos e muito trabalho feito. E num assunto destes não chegará ser convidado. Também é preciso coragem para aceitar, para ir, para mudar de país com todas as circunstâncias que daí advém.

Mister Tiago. Desejo-lhe toda a sorte.

Créditos da foto: Jorge Leal

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