A sul…

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Gostava de começar este artigo relembrando uma intervenção política de conceituado autarca que num congresso partidário muito badalado “acusou” uma das listas de ser “elitista, liberal e… sulista”. Ora é exatamente isso mesmo que não pretendo que me acusem, pelo menos de fazer a apologia do sul ou ser “sulista” no que ao polo aquático diz respeito.

Neste momento, o “nacional” masculino de polo aquático integra três equipas do sul do País, ou melhor da zona da designada “grande Lisboa”, porque infelizmente ainda não foi desta que o Alentejo e o Algarve voltaram a fazer-se representar. Sporting Clube de Portugal, Cascais e o Sport Algés e Dafundo são as três (prestigiadas) coletividades que integram o escalão maior do nosso polo aquático. São todos clubes de grande historial e em muitas modalidades desportivas, pelo que deverão merecer toda a confiança na concretização dos projetos levados a cabo, em particular também no polo aquático. De todos eles (sem procurar distinguir), o Algés e Dafundo é um colosso histórico no polo aquático português. Só a própria piscina Fernando Sacadura encerra em si mesma grande parte dos percursores da modalidade em Portugal – Hermano Patrone, os selecionados dos jogos olímpicos de 52 todos do Algés, e nos anos 90 as equipas masculinas e femininas de Nuno Paz e António Machado (Tójó, hoje treinador do Benfica), aliado a grandes atletas criados na casa (o próprio Tójó, Paulo Russo, Rafael Salgueiro ou por exemplo Helena Barros – atual treinadora e uma das melhores praticantes de sempre eleita no “sete” base do “Europeu” de Sevilha em 1997. Por estas e outras razões há que saudar o regresso do SAD. O polo aquático necessita destas equipas e só terá a ganhar com isso. Nos vizinhos Cascais e Sporting, sem esquecer o Benfica em femininos, realce-se a qualidade dos treinadores envolvidos que pelo currículo apresentado e provas dadas só podem (achamos nós) levar ao sucesso e a um crescimento sustentado das diferentes equipas. Zé Augusto e Lajos Lorencz (Cascais), Gonçalo Abrunhosa (Sporting) e o já mencionado Tójó (Benfica) não são propriamente uns “paraquedistas” que agora aterraram nas piscinas. Todos e todas têm muita competência e experiências várias que lhes permitirão chegar mais acima, mas deverão também perceber o momento chave da área geográfica a que pertencem que nos últimos anos praticamente andou desabituada e afastada das grandes decisões. E o polo aquático (achamos nós) precisa urgentemente de ser praticado de norte a sul e particularmente em Lisboa. Com equipas competitivas também na capital, a modalidade voltará a sair do designado campeonato da minha rua ou do meu bairro que não credibiliza, não desenvolve, não implica superação nem dinâmicas mais ousadas. É sempre mais do mesmo. Aos meus amigos (a) “sulistas” desejo também que nesta nova fase se entendam. Não precisam de “ir para os copos juntos”, mas deverão saber que o entendimento nesta fase é importantíssimo para a consolidação dos vossos projetos e da própria modalidade. E não esqueçam que têm uma Associação (AN Lisboa) que tem o dever de vos representar e onde com a vossa mobilização e intervenções (de preferência conjuntas) podem fazer algo mais e muito importante… serem mais fortes. Tem sido assim no Porto e norte do País. A Associação do Norte manteve forte política de desenvolvimento e já há muitos anos a esta parte e sem interrupções, o que se vai traduzindo no número de jogadores e equipas em atividade e necessário suporte.

Realizar jogos-treino conjuntos, acertarem políticas de desenvolvimento (escolas de jogadores, ações de formação para treinadores, renovação e aperfeiçoamento dos quadros de arbitragem, conseguir entrar em piscinas de topo como sejam o Jamor e o Estádio Universitário, entre outras) são tudo meros exemplos de itens a concretizar na vossa região que deverão propor junto do poder central.

Haja vontade e consensos de o conseguir.

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