A melhor equipa?

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A partir de hoje disputa-se mais um título masculino do polo aquático português. Fluvial Portuense (bicampeão) e Naval Povoense medirão forças no tradicional “play-off” e “à melhor de três jogos”.

No fundo, teoricamente, estarão em ação as duas melhores equipas do campeonato, as duas favoritas, aquelas que todos sem exceção vaticinavam que se encontrariam na final. Ambas têm os melhores jogadores, os de maior estatuto, os principais internacionais do polo aquático nacional, e, portanto, estará tudo mais ou menos previsto. Pedro Sousa, Tiago Parati, João Leite, Salvador Lopes, Dumitru Sobetchi e Manuel Cardoso, do Fluvial, e Ricardo Sousa, Tiago Costa, Rui Ramos, Ricardo Ferreira, Miguel Mariani, do Povoense, e ainda os dois guarda-redes (Carlos do Fluvial e Mykola do Povoense), tudo gente conhecida e considerada como os ainda mais cotados jogadores em Portugal. Acredito, por isso, numa final equilibrada porque o play-off é mesmo assim e nivela sempre as coisas.

Portanto, tudo ao rubro para se definir o campeão em Portugal neste ano de 2018, mas que, na minha opinião, até pode nem ser a melhor equipa do campeonato. Explicando melhor, Jorge Araújo, o conhecido treinador de basquetebol e talvez o mais categorizado e pensador português das ciências do treino e ou comportamentais e do trabalho em equipa explica o conceito mais ou menos de formas variadas nos seus vários livros editados.

Na sua opinião, muitas vezes a melhor equipa não é a que ganha, mas sim aquela que com menos meios, recursos e que às vezes até com muitos problemas estruturais e de carências várias, temporárias ou não, consegue claramente superar-se e atingir patamares nunca imaginados à partida e comparativamente com os restantes adversários bem mais apetrechados (jogadores, meios, orçamentos, etc).

Contextualizando melhor: Fluvial e Povoense potenciaram e valorizaram os seus jogadores comparativamente a anos anteriores? Estamos a falar de qualidade nas ações de jogo, melhoria da condição física, mais golos, mais remates, melhor organização e comportamentos defensivos, atitude mental condizente com as exigências da competição, autocontrolo, etc?

As condições de treino melhoraram em ambos os clubes? treinou-se mais e melhor? Foram valorizados técnica e taticamente os seus jogadores? Quantos novos valores foram lançados e provenientes da formação e por aí fora?

Não temos dados para saber de tais interrogações. E, mesmo vendo alguns jogos esta época (poucos), será injusto responder às questões formuladas para Fluvial e Povoense.

Portanto, responder à questão de qual foi ou qual será a melhor equipa da época ficará ao critério de cada um. Pretende-se com este pequeno texto chamar a atenção para outros clubes e de outra dimensão. Neste sentido, o Paredes, numa opinião subjetiva e pessoal, será porventura a melhor equipa deste campeonato. Com uma piscina fantástica na pacata vila de Recarei e sempre apoiado pela sua edilidade, o clube do Vale do Sousa foi, contudo, “dizimado” no final da época passada com a saída dos seus mais cotados jogadores. Tal não obstou que o Paredes encontrasse o seu caminho com novos atletas que não tem nem de perto nem de longe o estatuto dos referidos anteriormente, mas que demonstraram dentro de água muito valor e outra lufada de ar fresco ao nosso polo aquático. Levar a presença na final para os penalties ante o Povoense era inimaginável no início da época. É verdade que o Paredes não vai ganhar rigorosamente nada, mas o seu percurso desta época merece todos os elogios.

Já no feminino, todas estas questões se esvaziam completamente e joga-se com o que se tem. As jogadoras são em número muito reduzido e existem muito poucas equipas. Tal não significa que o título valha… menos. Não é nada disso. E neste ponto, goste-se mais ou menos, o Fluvial Portuense ganhou com mérito e sem discussão ao Benfica (2-0) e… ponto. Parabéns portanto às vencedoras que são mesmo a melhor equipa em Portugal.

Deseja-se para hoje e para o próximo fim de semana uma final empolgante e com boa organização e fair-play. Apelo a que os árbitros e a mesa estejam à altura e que não existam “casos” para comentários posteriores. Boa sorte para todos os intervenientes.

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