… Vasco Sousa

  •  
  •  
  •  

O que é feito de ti?

Profissionalmente sou professor de Educação Física numa escola básica e secundária de Vila do Conde. Por sorte, e com muito esforço, consegui conciliar os estudos com os treinos de alta competição, tendo concluído o curso superior de Educação Física em 1988, ano em que nadei a minha última prova federada, precisamente representando Portugal nos Jogos Olímpicos de Seoul. Aliás, 1988 foi um dos anos mais marcantes para mim – passei de atleta a treinador e de estudante a professor num ‘virar de página’ repentino e alucinante. Curiosamente, todo o meu ensino secundário foi ‘gasto’ a preparar-me para outra área profissional, ao ponto de ter frequentado e concluído o 1.º ano da Faculdade de Economia do Porto. A bom tempo concluí que esse não seria o meu rumo e optei por uma mudança de curso, acabando, como muitas vezes digo aos meus alunos que estão em vias de fazer este tipo de opções, a exercer a única atividade profissional que sabia, enquanto jovem, que não pretendia para o meu futuro – ser professor e trabalhar numa escola. A vida dá destas voltas e, muitas vezes, surpreende-nos ao virar da esquina. Vivo na Maia, arredores do Porto, sou casado e tenho dois filhos rapazes de 8 e 15 anos.

 

Quais foram os principais momentos que viveste como nadador de alta competição?

Salientaria o facto de a água, enquanto elemento, me ter rodeado na juventude e me ter proporcionado relações humanas fortes, ao ponto de manter como amigos grande parte dos colegas de treino e de competição. Esse será, talvez, o maior legado que a modalidade me deixou. Como principais conquistas realçaria as participações, em representação da Seleção Nacional, em três Universíadas, um Campeonato da Europa, um Campeonato do Mundo e uns Jogos Olímpicos. Consegui igualmente colocar no meu currículo cerca de 80 recordes nacionais de categoria e absolutos e inúmeros títulos nacionais em todos os anos de atividade. Três dos momentos que mais marcaram a minha carreira desportiva foram a participação numa final tipo B numas Universíadas (na altura, com a obtenção de Recorde Nacional Absoluto), a conquista, nos Campeonatos do Mundo de 1986, duma marca que me permitiu ascender à categoria de Nadador de Nível Europeu (estipulado pela Federação Portuguesa de Natação/Direção Geral dos Desportos) e a obtenção de mínimos olímpicos em 1988. Sendo estudante e nadador em simultâneo, foram conquistas que me realizaram e preencheram, comprovando que o esforço e a dedicação valeram a pena.

 

O que achas atualmente da natação portuguesa?

Confesso que não acompanho a modalidade ao ponto de me permitir opinar com clareza e consciência. Tenho conhecimento de alguns valores que têm levado o nome da natação portuguesa a um alto patamar mas, de qualquer forma, questiono-me porque é que nos últimos 30 anos houve uma explosão tão grande de construção de piscinas, de nascimento de clubes e de aumento de praticantes e tal aposta não se reflete duma forma mais visível no panorama da nossa natação, nomeadamente no panorama internacional.

 

Pensas um dia regressar à modalidade numa outra função?

Mantive-me ligado à modalidade até 2008, ou seja, durante os 20 anos que se sucederam à minha última competição, passando por várias funções: fui jogador, treinador e árbitro de pólo aquático e fui treinador de natação, tanto nas camadas jovens de formação como de equipas absolutas. Fui posteriormente rejeitando alguns convites de retorno, quer para a parte técnica quer para a parte dirigente, ao ponto de pensar que a minha vida terá eventualmente fechado um ciclo com a modalidade mas… nunca sabemos o dia de amanhã.

 

Que conselho darias aos jovens nadadores que sonham competir ao mais alto nível?

Fundamentalmente que sejam perseverantes, que valorizem o trajeto e que se mentalizem que nem tudo são rosas. O percurso faz-se de altos e baixos, numa escalada ou espiral nem sempre previsível ou homogénea mas com experiências fortes na formação do carácter humano e com ensinamentos que nos vão testar para a vida e fortalecer para os seus desafios. Por outro lado penso ser relevante aconselhar que, se estão na modalidade com seriedade, devem pensar que o maior desafio é connosco mesmos, numa luta incessante de superação e aperfeiçoamento. Claro que a competição é intrinsecamente uma luta contra os outros mas sempre admirei aqueles colegas nadadores que, mesmo não atingindo resultados de relevo nem usufruindo dos incentivos e regalias que as boas marcas nos proporcionavam, estavam sempre lá diariamente a treinar, a batalhar e a lutar como se isso fosse um fim em si mesmo para uma realização pessoal ou fosse uma forma assumida de estar na vida. Diz o ditado que “dos fracos não reza a história” mas se fazes da natação competitiva, com dedicação e seriedade, a tua modalidade de eleição, serás sempre um dos fortes.

 

Dados pessoais

Nome: Vasco Nuno Sampaio e Castro de Sousa

Naturalidade: Porto

Data de Nascimento: 10 de março de 1964

Estado Civil: Casado

Modalidade praticada: Natação

 

Currículo Desportivo

Nadador de competição do Futebol Clube do Porto entre 1972 e 1983

Nadador de competição do Clube Fluvial Portuense entre 1984 e 1988

Ao longo da carreira desportiva foi detentor de cerca de 80 recordes nacionais de categoria e absolutos, assim como detentor de inúmeros títulos de campeão nacional

Representou Portugal em numerosas competições internacionais entre as quais se salientam:

Taça Latina

1981 – Guadalupe, Antilhas Francesas

1982 – Buenos Aires, Argentina

Taça da Europa

1979 – Antibes, França

1980 – Londres, Reino Unido

Campeonato da Europa

1987 – Estrasburgo, França

Campeonato do Mundo

1986 – Madrid, Espanha

Campeonatos do Mundo Universitários (Universíadas)

1983 – Edmonton, Canadá (finalista B – 16º classificado)

1985 – Kobe, Japão

1987 – Zagreb, Jugoslávia

Jogos Olímpicos

1988 – Seoul, Coreia do Sul

 

Foi ainda:

Atleta da equipa sénior de Polo Aquático do Clube Fluvial Portuense entre 1985 e 1992

Treinador da equipa sénior de Polo Aquático do Clube Fluvial Portuense em 1994

Agraciado com diploma de louvor atribuído pela Federação Portuguesa de Natação em 1988, “pelo importante contributo para o prestígio da modalidade e da FPN na sua participação nos Jogos Olímpicos de Seoul, 1988”

Nomeado sócio de mérito da Associação de Natação do Norte de Portugal em 1989

Considerado pela Associação de Natação do Norte de Portugal treinador do ano de 1993 na modalidade de Pólo Aquático

Medalha de bronze da Federação Portuguesa de Natação em 2006

Preletor em várias conferências e ações de formação de Natação

Nadador e recordista Master entre 2001 e 2003

 

Formação Académica

Licenciatura em Educação Física pelo Instituto Superior de Educação Física do Porto

Curso: 1983 – 1988

 

Atividade profissional de âmbito público

Atualmente mantém-se como Professor de Educação Física no Agrupamento de Escolas D. Pedro IV de Vila do Conde, ao qual pertence como Professor do Quadro de Agrupamento

 

Atividade profissional de âmbito privado

Treinador de Natação da equipa de Infantis do Clube Fluvial Vilacondense entre os anos de 1995 e 2006

Diretor Técnico e Treinador principal da equipa de Natação do Leixões Sport Club entre os anos de 2006 e 2008

Treinador com atleta presente nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008

Mais de 10 mil leitores não dispensam o Chlorus.
Fazer jornalismo de Natação tem um custo e por isso
precisamos de si para continuar a trabalhar e fazer melhor.
Torne-se nosso assinante por apenas 12€ por ano e
tenha acesso a todos os conteúdos Premium.



Comentários